sábado, 9 de agosto de 2008

SEMINÁRIO> METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTO EM CONTEXTOS DE INCERTEZA

.> O CASO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS>> Fundação Calouste Gulbenkian, 13 a 15 de Outubro de 2008>>> O Programa Gulbenkian Ambiente e o Joint Research Center, da > Comissão Europeia, organizam um curso sobre metodologias de suporte > à avaliação do conhecimento em processos de decisão política no > âmbito do ambiente, e mais concretamente no caso dos incêndios > florestais.> Este curso destina-se a técnicos de Organizações Não- > Governamentais, agentes da administração central, regional e local > e investigadores na interface entre ciência, política e sociedade.> A participação neste curso é limitada, devendo> os candidatos preencher, até 8 de Setembro de 2008, a ficha de > inscrição disponível no site da Fundação Calouste Gulbenkian

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Área ardida duplicou até 15 de Julho face a igual período de 2007

Dados da Direcção-Geral dos Recursos Florestais
05.08.2008 - 09h20 Lusa
A área ardida em Portugal nos primeiros seis meses e meio deste ano duplicou face ao mesmo período de 2007, segundo dados provisórios da Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF).Os dados, disponíveis na página da Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), referem que entre 1 de Janeiro e 15 de Julho de 2008 arderam 4685 hectares entre povoamentos (1325) e matos (3360), o que representa um aumento de cerca de 110 por cento face a período idêntico do ano passado, quando arderam 2213 hectares.Os números provisórios da DGRF mostram também que, até 15 de Julho, se registaram 4981 ocorrências, 1023 incêndios florestais e 3958 fogachos, mais 1364 do que em 2007.No relatório, a Direcção-Geral dos Recursos Florestais destaca que, quando comparados “os registos do corrente ano com os valores médios do decénio anterior (1998-2008), verifica-se que houve menos 4099 ocorrências e arderam menos 19.301 hectares.Braga e Bragança com mais área ardidaOs maiores valores de área ardida, até 15 de Julho, verificam-se nos distritos de Braga (939 hectares) e Bragança (907), enquanto o maior número de incêndios florestais ocorreu em Vila Real e Braga (com 167 e 161 ocorrências, respectivamente).A Autoridade Nacional de Protecção Civil faz hoje um ponto da situação da fase “Charlie”, período mais crítico de incêndios florestais, que decorre desde 1 de Julho e se prolonga até 30 de Setembro. Nos primeiros 15 dias da fase “Charlie” registaram-se 757 ocorrências e arderam 412 hectares.No período mais crítico estão mobilizados 9803 elementos, 2360 veículos e 59 meios aéreos, três dos quais da AFOCELCA, uma associação de empresas do sector papeleiro e de celulose.O dispositivo de vigilância, detecção e combate aos incêndios conta ainda com 240 postos de vigia espalhados por todo o país e com 35 embarcações da Autoridade Marítima.Ultima hora

Quercus alerta para eucaplitos ilegais em zonas ardidas

Terça-Feira, 05 de Agosto de 2008
Zonas de pinhal destruídas nos grandes incêndios de há cinco anos no distrito de Castelo Branco estão a ser "ilegalmente substituídas por eucaliptos", alerta um dirigente da Quercus
Luís Fonseca“Temos denunciado às autoridades situações que encontramos no terreno, desde Pampilhosa da Serra a Abrantes e até na Serra da Gardunha”, garante Samuel Infante, dirigente da Quercurs em Castelo Branco. Em causa, plantações ilegais em zonas ardidas, cinco anos após os grandes indêncios que assolaram a Beira Baixa.“A substituição é ilegal, os eucaliptos ardem com mais facilidade em caso de incêndio e nem são as espécies mais viáveis”, acrescentou. Samuel Infante lamentou que os proprietários não apostem na reflorestação com espécies autóctones, “que até são apoiadas pelo Estado”, como o sobreiro, azinheira ou castanheiros, pois “uma floresta diversificada é mais resistente aos fogos". "Mas parece que não aprendemos a lição”, lamentou.MAIORIA ESTÁ AO ABANDONONo entanto, a maioria da área ardida há cinco anos “está abandonada”, longe da reflorestação ideal, mas sobre a qual não havia grandes expectativas. “A maioria dos terrenos ardidos está abandonada e onde há regeneração natural tem havido muito pouco ordenamento”, alertou Samuel Infante, segundo o qual “não houve mudança de mentalidade do proprietário florestal e prevalece o regime de propriedades de pequena dimensão. Ou seja, não há interesse pela floresta”.“Também não tínhamos expectativas muito altas, porque estas reformas levam 10 a 20 anos até que haja resultados visíveis”, frisou. Os incêndios registados em 2003 destruíram mais de 424 mil hectares e provocaram 20 mortos em todo o país. O distrito de Castelo Branco foi o mais afectado, com 90 mil hectares de mato e floresta destruídos e 40 casas de habitação permanente queimadas.Pedido para simplificar as ZIF...A constituição de Zonas de Intervenção Florestal, para unificar as pequenas parcelas de terreno sob a mesma gestão, é a solução, mas Samuel Infante pede “simplificação” do processo administrativo e uma atitude “mais proactiva relativamente à união de propriedades”.Ainda há poucos dias, autarcas de Oleiros, Castelo Branco e Fundão queixaram-se ao Diário XXI de praticamente não ter existido reflorestação nas zonas ardidas, por não haver medidas que a incentivem, como a simplicação das ZIF..... e Governo diz que “sim”Depois de ouvidas as queixas, o governo anuncia que quer flexibilizar a constituição das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), estando a preparar uma nova legislação que deverá encurtar o seu tempo de criação de dois anos para sete meses.Segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, o processo de criação das ZIF é "muito burocrático", pelo que está ser preparada nova legislação para agilizar o processo. Ascenso Simões falava ontem durante cerimónias em que participou no Algarve.“O BOM CAMINHO”Segundo o secretário de Estado existem cerca de 124 mil hectares de área intervencionada, mas o objectivo é atingir no fim do ano os 200 mil hectares e fazer com que a nova legislação permita criar uma ZIF em sete meses."As ZIF são o bom caminho, mas reconhecemos-lhes algumas dificuldades", disse Ascenso Simões, acrescentando que o Governo quer que o processo fique "mais leve" e que a constituição de uma ZIF seja menos demorada. Diário XXI

domingo, 27 de julho de 2008

Faltam, ou faltavam, 552 pessoas para os postos de vigia

Aos 230 postos de vigia que passaram este ano a ser assegurados pela Guarda Nacional Republicana faltam ou faltavam 552 pessoas necessárias ao seu funcionamento. O reconhecimento é feito num despacho assinado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, dia 8 de Julho e publicado sexta-feira, dia 18, no Diário da República, onde se autoriza a contratação de vigilantes a partir de 1 de Julho. "No corrente ano, compete à Guarda Nacional Republicana, no âmbito da Rede Nacional de Postos de Vigia, assegurar o funcionamento de 230 postos. Na rede primária encontram-se integrados 69 postos, que deverão estar plenamente operacionais entre 15 de Maio e 30 de Setembro do corrente ano, enquanto na rede secundária encontram-se integrados 161 postos, que deverão estar plenamente operacionais entre 1 de Julho e 30 de Setembro do corrente ano. A operacionalidade exigida torna necessária a existência de mais 552 vigilantes a partir de 1 de Julho. A GNR não dispõe de pessoal para afectar a este programa. Por esta razão, torna-se indispensável a contratação de mais vigilantes para dar operacionalidade à Rede Nacional de Postos de Vigia", lê-se no documento publicado 18 dias depois da data em que os vigilantes deviam ter começado a trabalhar. Ainda antes da publicação deste documento, o PÚBLICO contactou a GNR tentando perceber o que se passava com os postos de vigia. A resposta oficial enviada, curiosamente, no dia em que o despacho foi publicado, adiantava que as torres funcionavam 24 horas por dia, em três turnos. A GNR admitia, contudo, que alguns postos não funcionassem todo o dia, sendo o seu horário "fixado de acordo com o potencial de risco". Explicava-se que os turnos eram efectuados de forma flexível, "em razão da avaliação diária dos indicadores de risco de incêndio, tais como temperatura, humidade, direcção e velocidades do vento, entre outros, bem como por razões tácticas e operacionais com base em informações policiais".Quanto às pessoas que vão assegurar o funcionamento das torres, a GNR referiu que seriam civis "seleccionadas de acordo com critérios preferenciais, tais como o conhecimento da área, o local de residência, a experiência anterior e certas características pessoais, como uma boa visão". Ao falar no passado a GNR dá a entender que a selecção já foi feita. No entanto, como o despacho foi assinado por Sócrates e pelos ministros das Finanças e da Administração Interna só a 8 de Julho, não é certo que o processo esteja concluído. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, esclarecer esta dúvida junto da GNR.Para o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Duarte Caldeira, este despacho veio provar o que já se sabia: os postos de vigia não estão a funcionar devidamente. "A GNR sabia desde o início qual o período em que os postos tinham que estar a operar, mas não houve uma avaliação integrada do impacto das decisões", sustenta Caldeira. E completa: "Isto prova que mudar a Rede Nacional de Postos de Vigia da Direcção-Geral dos Recursos Florestais para a GNR não foi a melhor solução." 3,5%As 18 ZIF já criadas abarcam uma área de quase 120 mil hectares que corresponde a apenas 3,5 por cento da área florestada do país. O Governo fixou a meta de 15 por cento, 500 mil hectares, até 2012.21.07.2008, Mariana Oliveira

Áreas de 2003 já estão em condições de arder novamente


Especialistas não acreditam, porém, em Verão catastrófico.a As áreas percorridas pelos incêndios de 2003 já estão em condições de arder novamente, mas a hipótese de uma temporada tão devastadora de fogos este ano é considerada improvável por alguns especialistas.O estado das áreas ardidas nos últimos anos é uma das indicações da carta anual de risco conjuntural de incêndios, que só agora está a ser concluída, com três meses de atraso. Esta carta, produzida pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA) para a Direcção-Geral de Recursos Florestais (DGRF), indica as zonas mais susceptíveis de arder num determinado ano. Serve sobretudo para planear o pré-posicionamento dos meios de combate.Prevista no Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, a carta conjuntural deve estar pronta "no primeiro trimestre de cada ano". Segundo o investigador José Miguel Cardoso Pereira, que coordena o projecto, o atraso deve-se à tardia assinatura de um protocolo entre o ISA e a DGRF. O trabalho estava a ser concluído na sexta-feira passada.O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Ascenso Simões, desvaloriza o atraso, dizendo que há outras cartas de risco disponíveis: a DGRF produz, em conjunto com o Instituto de Meteorologia, um índice diário de risco de incêndio e o Instituto Geográfico Português apresentou, no mês passado, uma outra carta de risco de incêndio, de carácter estrutural.A carta conjuntural deste ano indica que há muito combustível acumulado, mas por ora com um nível de humidade relativamente elevado. Nos 426 mil hectares varridos pelas chamas em 2003, já cresceu uma quantidade significativa de vegetação. Se ocorrerem, os incêndios ali não serão eventualmente tão brutais, mas podem induzir outros efeitos."Se voltarem a arder zonas de pinhal que estejam em regeneração natural, não haverá tempo para a produção de sementes", afirma José Miguel Pereira. Com isso, os pinhais poderão ser tomados por matos ou ocupados deliberadamente com eucaliptos. Medo das semanas de calorEste ano, choveu bastante no princípio da Primavera, estimulando o crescimento da vegetação. Mas o calor demorou a chegar e as plantas não secaram tanto. Se não houver ondas de calor excepcionais, um Verão catastrófico "é muito pouco provável", acrescenta José Miguel Pereira."Ficaria muito surpreendido", concorda o climatologista Carlos da Câmara, do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, autor de um modelo de previsão da severidade dos fogos em Julho e Agosto, com base na chuva e nas temperaturas entre Março e Junho. Para este ano, o modelo sugere que há apenas 11 por cento de probabilidade de que Julho e Agosto sejam severos, ou seja, que a área ardida nesses meses seja superior a 80 mil hectares. Mas, por outro lado, a probabilidade de uma área ardida inferior a 45 mil hectares é de apenas quatro por cento.O secretário de Estado Ascenso Simões prefere não fazer prognósticos e diz que é preciso estar preparado para tudo: "Se tivermos 15 dias seguidos com mais de 30 graus de temperatura, menos de 30 por cento de humidade e mais de dez nós de vento de leste, tudo muda." Ou seja, dependemos de S. Pedro. 21 .07.2008, Ricardo Garcia

Prevenção ainda incipiente cria receio de um Verão com muitos incêndios


Depois dos sustos de 2003 e 2005, a floresta está hoje preparada para se defender dos incêndios? Se os números valessem por si, a resposta não seria desanimadora.
Até meados de Maio passado, dos 308 municípios do país, 240 já tinham gabinetes técnicos florestais, 274 possuíam comissões de defesa da floresta contra incêndios e existiam 247 planos municipais contra os fogos. Também já havia 170 planos operacionais municipais e 263 brigadas de sapadores bombeiros. Este ano foi feita a gestão de combustíveis em 300 mil hectares de espaços de maior risco, incluindo o uso do fogo controlado em 1600 hectares. As zonas de intervenção florestal (ZIF) cobrem 120 mil hectares e há 271 planos de gestão florestal.Só que os números não dizem tudo. O próprio secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Ascenso Simões, mesmo elogiando o trabalho já feito, é o primeiro a reconhecer que ainda há muito por fazer. "O que interessa é o sentido", afirma.Plano avança devagarO Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, aprovado em 2006, está a avançar bem em algumas áreas, mas a falhar em outras. Publicamente, não se sabe ao certo em que ponto está, pois a Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) não fez o relatório de acompanhamento do plano relativo a 2007, e este devia ser anual. Ascenso Simões diz que a culpa foi da reestruturação da administração pública na área das florestas, que terá atrasado o processo, e promete para este ano um balanço completo dos primeiros três anos (2006-2008). Depois, garante, será retomada a periodicidade anual.No seu relatório sobre os fogos do ano passado - um ano em que as condições meteorológicas foram excepcionalmente favoráveis - a DGRF considera, porém, que algumas metas do plano "foram já atingidas" ou "encontram-se muito próximas do objectivo". A começar pela área ardida, que em 2007 se ficou pelos 31.450 hectares, bem abaixo do limite de 100.000 hectares fixado para 2012. Houve menos incêndios com mais de um hectare de área ardida e apenas dois com mais de mil hectares. Em 87 por cento das ocorrências, a primeira intervenção chegou em menos de 20 minutos. O número de fogos que duraram mais de um dia foi inferior à meta para 2012.Seria motivo para alívio, não tivesse sido 2007 o tal ano com um Verão clemente. Choveu em todos os meses de Maio a Setembro. O mês com maior número de fogos, aliás, foi Novembro, com 30 por cento da área ardida no ano todo. Muitos dizem que o grande teste das medidas de prevenção de fogos ainda aguarda um ano de condições climatéricas difíceis. Ou mesmo normais.A esperança das ZIFUma das acções de maior impacto na reforma estrutural da floresta, a criação das zonas de intervenção florestal (ZIF), está a ter resultados mistos. Idealizadas há quatro décadas, mas só agora postas em prática, as ZIF aglutinam várias propriedades privadas, que são geridas em comum por uma única entidade.Até agora, foram já criadas 18 ZIF, somando uma área de quase 120 mil hectares (ver infografia). São ainda apenas 3,5 por cento da área florestada do país. Mas o Governo, que fixou uma meta de 500 mil hectares de ZIF até 2012, está satisfeito com o ritmo. "É um trabalho gigantesco", afirma o secretário de Estado Ascenso Simões.Não há ainda uma avaliação do impacto das ZIF já criadas. Mas há exemplos de problemas. Na primeira a ser aprovada, em Oliveira do Hospital, a falta de cadastro das propriedades impediu que se fizesse qualquer acção prática de prevenção de fogos.A adesão às ZIF tem sido mais fácil em áreas de influência de associações de produtores florestais, mas convencer pequenos proprietários avulsos a juntarem-se é bem mais difícil. Basta verificar que, no concelho da Pampilhosa da Serra, o mais afectado em 2005, com 18 mil hectares de área ardida, não há uma única ZIF. A câmara municipal fez acções de sensibilização com os proprietários florestais, nas juntas de freguesia e até em Lisboa, onde vivem 30 a 35 mil pessoas oriundas do concelho. "O resultado foi praticamente nulo", lamenta o vice-presidente da câmara, Jorge Custódio: ninguém quer apostar na floresta, sabendo que dentro de cinco a dez anos pode arder tudo novamente. "As pessoas estão completamente massacradas", afirma.É algo normal, pois nem a madeira queimada de 2005 foi retirada. Entretanto a vegetação já cresceu, deixando o concelho novamente numa situação vulnerável. Além disso, poucos são os proprietários que têm limpo as matas ao redor das zonas urbanizadas. "O cenário continua negro", diz Jorge Custódio.O medo persisteO panorama é outro em Silves, no Algarve, concelho muito afectado em 2003 e 2004. Os proprietários rurais, no actual momento de crise económica, voltaram a valorizar o campo. "Existem zonas do concelho que há muitos anos que não eram cultivadas", afirma a presidente da câmara, Isabel Soares. "Há também maior reflorestação."A limpeza das matas "é visível", segundo a autarca. Ainda assim, Isabel Soares não está completamente descansada: "Não se pode dizer que não vamos ter um novo inferno como o de 2003/2004."Ninguém está descansado. "Tememos que ocorram incêndios com grande severidade porque foi um ano chuvoso, cresceu muito mato que ainda está verde, mas começa a secar. Se estas temperaturas continuarem até Agosto, pode ser grave", previne Hugo Jóia, da Federação dos Proprietários Florestais de Portugal. Até porque boa parte da floresta nacional, sobretudo nas áreas de minifúndio, continua sem gestão activa. Ecosfera
21.07.2008
Ricardo Garcia, Ana Fernandes

terça-feira, 1 de julho de 2008

DR 124 SÉRIE I de 2008-06-30

Portaria n.º 566/2008Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
Define que o período crítico no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, no ano de 2008, vigora de 1 de Julho a 15 de Outubro

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Incêndios: Urgente concluir cadastro florestal

Diz WWFO Fundo Mundial para a Conservação da Natureza (WWF) alertou hoje para aurgência de medidas preventivas dos incêndios florestais, entre as quais aconclusão do cadastro florestal que identifica os proprietários e acertificação das florestas.«A conclusão do cadastro é essencial, só assim é possível saber quem sãoos donos das terras. Mas se o cadastro continuar a ser feito ao ritmoactual, vamos precisar de mais 50 anos para o concluir», afirmou numencontro com jornalistas Luís Neves Silva da WWF Portugal.O ambientalista lembrou as especificidades do país, que aumentam o riscode incêndio, como Verões quentes e secos e Invernos suaves chuvosos, e odespovoamento e abandono rural que transformaram habitats agrícolas esilvo-pastoris em vastas áreas de vegetação combustível «pronta a servirde pasto para as chamas».Os cenários futuros de alterações climáticas, que sugerem períodos dechuvas intensas e verões ainda mais quentes e secos, vão acelerar ascondições para crescimento da vegetação e acumulação de combustível emelhores condições para ignição de fogo.Para a WWF, as prioridades do país em termos de prevenção de incêndios sãoa conclusão do cadastro predial da propriedade rústica e a revisão damoldura fiscal do sector florestal para combater o absentismo.«Como não se sabe quem é o proprietário dos terrenos, uma vez que não estáconcluído o cadastro, a política fiscal vai incidir em quem trabalha egere a terra. Devia era incidir no proprietário, para incentivar a gestãoe combater o absentismo», defendeu Luís Neves Silva.A organização defende ainda que a prevenção de incêndios pode sermelhorada com a adopção do sistema florestal FCS - Forest StewardshipCouncil, um mecanismo de certificação que preconiza a aplicação de boaspráticas de gestão, premiando quem gere melhor a floresta.No âmbito do FCS, introduzido em Portugal em 2006, já foram certificadoscerca de 200 mil hectares, correspondentes a seis por cento do territórionacional, sendo os sectores do papel e celulose os que mais aderem a estesistema.«E o Estado devia dar o exemplo na aplicação de boas práticas de gestãoflorestal, certificando as florestas públicas através de um sistemaindependente e credível», adiantou.Para alertar os proprietários para a necessidade de fazer a gestãofloestal, nomeadamente a limpeza dos terrenos, a WWF vai divulgar nopróximo mês de Junho na SIC um pequeno filme sobre o poder do homem paraactivar e para parar os incêndios.«Ainda estamos muito longe do que temos de fazer ao nível da prevenção deincêndios», concluiu o responsável da WWF.Diário Digital / Lusa

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Número de meios para combater incêndios este ano é o maior de sempre

Número de meios para combater incêndios este ano é o maior de sempre*
26.04.2008
Lusa

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, defendeu hoje que o
País dispõe este ano do maior número de sempre de meios de combate aos
incêndios e lembrou que a luta contra os fogos florestais "dura todo o ano".

Na apresentação do dispositivo operacional de combate aos fogos
florestais do distrito de Aveiro, Rui Pereira recordou que estão este
ano afectos ao combate aos incêndios "56 meios aéreos, nove dos quais do
Estado, com o objectivo de garantir uma autonomia estratégica, 2300
viaturas e cerca de 9600 efectivos, correspondendo a mais meios do que
em qualquer outro ano".

Segundo o ministro da Administração Interna, "em resultado da profunda
reforma empreendida pelo Governo, a protecção civil tem hoje uma
doutrina clara em relação aos fogos florestais". "A luta contra os
incêndios dura todo o ano", enfatizou, afirmando que existe hoje uma
"doutrina consolidada sobre o ataque inicial, a programação prévia e os
fogos controlados", que define a prevenção estrutural como incumbência
da Direcção Geral dos Recursos Florestais, atribui a prevenção de
proximidade à GNR, e o combate aos corpos de bombeiros e sapadores.

Rui Pereira expôs as principais linhas da "profunda reforma" da
protecção civil empreendida pelo Governo: a aprovação da lei de bases, a
criação da Secretaria de Estado da Protecção Civil, a reformulação da
estrutura coordenadora através da Autoridade Nacional de Protecção Civil
e a unificação do comando operacional, em termos nacionais e distritais.

"Estamos aptos a promover a articulação em estreita cooperação com os
bombeiros voluntários e profissionais, com os sapadores florestais, as
forças de segurança, as Forças Armadas que também são agentes de
protecção civil, os órgãos de Justiça criminal e a sociedade civil",
afirmou.

*Proximidade entre bombeiros e protecção civil*

O governador civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, destacou por seu lado
"o ponto final na insustentável separação entre bombeiros e protecção
civil".

António Machado, comandante distrital de operações de socorro,
esquematizou o dispositivo distrital e a realidade a que tem de
responder, apontando como metas uma maior eficácia no combate aos
incêndios nascentes, redução da área ardida e dos reacendimentos, bem
como maior celeridade na detecção e ataque inicial aos fogos florestais.
Para um distrito com 2800 quilómetros quadrados, a que correspondem 163
mil hectares de floresta, com uma população de 713.568 habitantes (255
habitantes por quilómetro quadrado), "garantir a segurança, tanto dos
que combatem os incêndios como das populações é a primeira das prioridades".

O dispositivo distrital, na fase "Bravo" (15 de Maio a 30 de Junho),
compreende 26 equipas de bombeiros, com 130 elementos, sete equipas
logísticas de apoio ao combate, com 14 elementos, e um helicóptero, com
uma secção da GNR. Na fase "Charlie" (01 de Julho a 30 de Setembro) os
meios aumentam para 50 equipas de combate a incêndios, 24 equipas de
logística e um grupo de reforço a incêndios florestais, duplicando os
meios aéreos, com dois helicópteros, estacionados em Águeda e Vale de
Cambra. A fase "Delta" (30 de Setembro a 31 de Dezembro) tem um conjunto
de meios equivalente à fase "Bravo", contando ainda com o apoio da GNR e
de militares, de equipas do Instituto de Conservação da Natureza e
Biodiversidade, sapadores das associações de produtores florestais e
equipas municipais.

Ecosfera

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O "desordenamento do território" é o maior "culpado" das grandes áreas ardidas

Faculdade de Ciências da Universidade de LisboaInvestigador diz que “desordenamento do território” é o maior culpado pelos incêndios florestais
31.03.2008 - 10h59 Lusa
O "desordenamento do território" é o maior "culpado" das grandes áreas ardidas todos os anos em Portugal, seguido da "incontrolável" meteorologia, de acordo com um investigador português da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que desenvolveu um modelo de previsão dos fogos do Verão. Carlos da Câmara, do Centro de Geofísica daquela Faculdade, desenvolveu um modelo que consegue determinar como vão ser os meses de Julho e Agosto, que representam 70 por cento da área ardida de todo o ano, através da precipitação de Março e Abril e da temperatura de Maio e Junho. "O raciocínio é simples: imaginemos que Março e Abril são particularmente chuvosos, o que leva ao desenvolvimento do mato, e depois que Maio e Junho são meses secos, o que torna a vegetação seca e muito mais inflamável. O risco é muito maior", explicou o professor. De acordo com o climatologista, desde 1980 que as áreas ardidas têm vindo a aumentar, tal como o "desordenamento" do território, o que resultou nos anos "negros" de 2003 e 2005, em que arderam, respectivamente, 425.726 e 338.262 hectares de floresta e matos, segundo dados oficiais. "O clima é o bode expiatório dos políticos, porque é muito fácil dizer cada vez que há uma calamidade que é o El Niño ou o efeito de estufa. Quem tem culpa dos fogos somos nós, portugueses, que permitimos que o ordenamento do território em Portugal esteja desta forma. O problema não é deste ou daquele Governo, foram 40 anos de negligência colectiva", salientou. Segundo o professor, se o planeamento do território fosse maior, ajudasse ao combate aos fogos e o tornasse eficaz, esse ordenamento iria contrariar a meteorologia e o modelo não resultaria tão bem, como acontece, por exemplo, em Espanha. No país vizinho, segundo o especialista, "quando começaram a fazer ordenamento do território a sério, a meteorologia continuou a ser importante, mas deixou de ser o único factor" para a previsão e prevenção dos fogos. "Quando o ministro da Administração Interna disse que no ano passado ter ardido pouco foi devido aos meios de combate, eu discordo. Aquilo é puramente uma opinião e eu tenho um modelo físico-matemático que prova o contrário", salientou. Para o professor da FCUL, a questão é que Portugal aposta sempre no combate e nunca na prevenção, deixando "a meteorologia jogar o seu papel". "Nós e a Grécia somos o último laboratório da Europa onde se podem aplicar estes estudos porque a meteorologia continua a ter um papel muito importante", explicou. Para a próxima época de fogos, o investigador considera que é ainda "muito cedo" arriscar qualquer previsão, mas adianta que "em Maio já há dados importantes para a planificação". Este modelo de previsão dos fogos do Verão está inserido no projecto europeu Land-SAF, liderado pelo Instituto de Meteorologia. O projecto foi desenvolvido em colaboração com vários investigadores da faculdade, do Departamento de Engenharia Florestal do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e do Instituto de Meteorologia.